IMPRENSA

16Abr2014

As várias facetas do "coração inchado"



O cenário é mais comum do que se imagina. A pessoa procura o médico, por um motivo qualquer, faz uma radiografia de tórax e o mesmo sentencia: "o senhor (a) está com o coração inchado". Ou tem aquela situação em que entre um comentário e outro sai o assunto: “você viu, o Fulano está com o coração grande." Mas o que é coração grande? O que isso representa para uma pessoa? Para responder a estes questionamentos, precisamos entender porquê o coração de alguém cresce.


Não é incomum no consultório cardiológico ou durante a realização de um Ecocardiograma o seguinte diálogo: "o que trouxe o senhor (a) aqui?", "ah doutor, eu faço tratamento para o coração inchado.". Porém, ao perguntar para o paciente porquê o coração inchou a resposta é, em quase a totalidade das vezes: "não sei".


Saber o porquê o coração está aumentado é mais importante do que saber que ele aumentou, já que possibilita ao médico tratar a causa específica, possibilitando inclusive reversão do quadro em algumas situações.


Mas afinal, o que é coração inchado? Em termos médicos, chamamos isto de Insuficiência Cardíaca.


Insuficiência Cardíaca é a via final de todas as doenças que acometem o coração. Portanto podemos considerar que a Insuficiência Cardíaca é o sintoma de alguma outra doença que está fora de controle. Para que o indivíduo manifeste esta entidade, algo está indo mal, seja por falta de tratamento, seja por desconhecimento da doença, ou seja, por maus hábitos de vida. As causas mais comuns de insuficiência cardíaca são: doença coronariana (infarto, angina, etc.), hipertensão, infecções virais, doenças valvares, gestação (isso mesmo, gestação), farmacológicas (quimioterápicos, imunomoduladores, etc) e a idiopática (a qual não se sabe certamente a causa). No Brasil há uma peculiaridade que é a Doença de Chagas, onde um protozoário (um bichinho microscópico) se aloja na corrente sanguínea e no coração, destruindo seu músculo, levando o indivíduo a apresentar sinais e sintomas clínicos da doença.


Para cada causa há diferentes tipos de tratamento a serem instituídos. Muitas vezes, tratando-se a causa da Insuficiência Cardíaca, consegue-se evitar que a doença continue progredindo. Nos casos em que não há regressão da doença, já existem inúmeras medicações que ajudam a prolongar e melhorar a qualidade de vida dos pacientes que a manifesta. Caso estes medicamentos não surtam efeito, ainda há a possibilidade do implante de dispositivos cardíacos (similares a um marca-passo), na tentativa de tentar ajudar este coração enfraquecido. Mesmo com toda esta evolução ainda existem pacientes em que os tratamentos falham e só um transplante cardíaco poderá ajuda-los (este tema será abordado em outro artigo devido à importância do mesmo).


Os sintomas da Insuficiência Cardíaca podem variar muito de pessoa para pessoa, porém os mais comuns são: cansaço extremo aos esforços, falta de ar ao se deitar, edema (inchaço) das pernas, tosse, palpitações, falta de ar durante o sono. Mas calma! Estes sintomas também podem ser sinais de outras doenças, portanto, só um médico poderá fazer o diagnóstico correto.


Mesmo com todo arsenal diagnóstico e terapêutico disponível atualmente, ainda a melhor forma de tratamento é a prevenção. Portanto siga sempre as recomendações médicas, pratique atividade física regularmente, tome os remédios regularmente e procure o seu médico de confiança sempre que notar que algo não está indo bem.